segunda-feira, 17 de novembro de 2008

  • O NOVO GENOCÍDIO CONGOLÊS ©
A República Democrática do Congo, antigo Zaire, era, durante o período colonial, chamado de Congo Belga, e os belgas se sentiam tão donos do Congo que, durante o período colonial, se cifra em 20 (vinte) milhões o número de vítimas da barbarie colonial que desenvolveu à saciedade.

E um genocídio histórico esquecido. Assim como o que se passa em Darfur (lembram-se das tragédias do Ruanda e do Burundi?) e, de novo, no Congo. A ONU diz que os criminosos não ficarão impunes, que serão levados a Tribunal. Mas, entretanto, não faz nada de sustancial para acabar com as violações em massa, as mortes gratuitas de civis, a escalda inusitada do conflito armado e o desatre humanitário que, necessariamente, se seguirá.

Ah, e pensava a ONU e a UE que o exílio silencioso de Jean-Pierre Bemba em Portugal (mais tarde gorada, ao que parece...) pudesse resolver alguma coisa na complexa rede de poder e de interesses que têm minado a estrutura social do país. Quantos mais africanos terão de morrer para o Mundo «desenvolvido» perceber que nós, os africanos, não aguentamos mais genocídos ? Todos nós?... Será ?

Agora que Angola emerge do caos provocado pelo conflito armado, que começa a mostrar capacidade de desenvolvimento, eis que aparece nas suas fronteiras o conflito armado congolês, para travar, uma vez mais, o desenvolvimento do país. Cansa-me, azucrina-me a alma estas coincidências espúrias. E que, do ponto de vista técnico jurídico, trata-se de um conflito armado interno, de uma questão interna da República Democrática do Congo e fora do foro do Direito Internacional – o que legitima a «não ingerência» da comunidade internacional.

O pedido de ajuda à Angola é admissível – pela vizinhança e solidariedade, mas somente por isso –, mas mais ainda à comunidade internacional que fica calada, quieta, a ver que despojos restarão e que «exemplos» mais terão para a Justiça do Tribunal Penal Internacional. Mas e a outra justiça, a verdadeira justiça que manda não fechar os olhos à iniquidade, onde, onde está?

As vezes, sinceramente, chego a pensar que a Justiça não é para África mas que a justiça repressora foi feita para os africanos. Nestes momentos, peço a Deus para me dar a graça de estar sinceramente errado.

  • Imagem: Darfur, Sudão

1 comentário:

Ariane Morais-Abreu disse...

Os que fecham os olhos têm demasiadas e numerosas razoes de os fechar!! Este é um cenario que se repita por demais nas terras sangrentas do continente mais cobiçado do mundo. Que se matam entre eles!! devem pensar e até esperar...