quinta-feira, 13 de novembro de 2008

  • IN MEMORIAM ©
A situação afrontosa que se vive na República Democrática do Congo faz-me lembrar Patrice Lumumba e os sonhos que tinha para o seu povo, a sua nação... Mataram-no, traiçoeira, cobardemente. Assim como mataram e continuam a matar Amilcar Cabral e matam outros, silenciosamente.

Sim, há muitas formas de se matar uma pessoa.

Lembro-me de, há alguns anos, encontrar-me com o filho de Patrice Lumumba numa conferência sobre negritude em Bruxelas. Sendo filho de Patrice Lumumba todos esperavam ouvir dele o impossível, que agisse como quem exige o impossível como a coisa única e necessária – até porque os tempos não eram diferentes dos de hoje.

Ó céus nocturnos!
Quantos homens bons ficam presos ao impossível da esperança alheia?

Tenho-me cruzado, ao longo da minha curta vida, com gente presa ao impossível; mas vejo muitos mais além disso e incapazes de fazer o possível, incapazes de sonhar; pior, incapazes de ter propósitos e pensamento estratégico! É destino? Que seja deles, não do povo.

Lumumba, ao contrário de Leopold Shengor, era um homem do povo, um homem comum, como nós. Mataram-no, por causa disso. Por causa do povo. Por causa do sonho que no estômago do povo é necessariamente propósito do sonho. Sim, os sonhos do povo, em todo o lado, estão amordaçados e presos nas gavetas dos ministros; dos ministros que sonham ser somente ministros.
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  • Imagem: Patrice Lumumba

2 comentários:

Ariane Morais-Abreu disse...

Os politicos calam muitas vezes a historia quando os criadores a fazem sempre falar como o Raoul Peck no seu film sobre Patrice Lumumba.

Virgílio Brandão disse...

A história, Ariane, pode ser escondida mas nunca silenciada.

Dia bom